Paranaguá: a fila já anda mais depressa
 
 

As históricas filas de caminhões no Porto de Paranaguá (PR) não vão acabar. Mas a vazão do embarque e desembarque de carga ficou maior depois que a Administração do Porto de Paranaguá e Antonina (APPA) tomou a seguinte iniciativa: integrou e dividiu responsabilidades com todos os usuários do porto.

"Um passo à frente foi dado para melhorar a logística de Paranaguá", garantiu ontem Cláuber Ângelo Candian, diretor da APPA, durante reunião do Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), coordenado por José Cândido Senna.

Essa nova estratégia, explicou Candian, pode ser resumida em algumas medidas. A primeira é evitar que o pátio de triagem – que movimenta até 1,5 mil caminhões por dia – vire um estacionamento. Para isso, foram pavimentadas e melhoradas as vias de acesso ao porto reduzindo de até 45 minutos para até 15 minutos a chegada de um caminhão ao pátio.

Além disso, a balança para pesagem dos caminhões foi colocada no chamado "corredor de exportação" – via que dá acesso ao porto – e foram melhoradas as condições de iluminação e segurança do trajeto até o pátio de triagem e dentro dele – cuja dimensão é de 610 mil metros quadrados. Também foi dado mais rapidez nos trâmites burocráticos que afetam exportadores e importadores.

Essas alterações logísticas, segundo Cláuber Candian, vão assegurar mais agilidade nas operações portuárias e afetar positivamente os resultados de movimentação física e financeiros de Paranaguá. A expectativa é repetir este ano o embarque de 5 milhões de toneladas de soja e 5,3 milhões de toneladas de farelo registrado em 2004 e superar, em mais de US$ 1 bilhão, os US$ 8,4 bilhões de receita cambial obtidos no ano passado.

Mauro Fontoura Marder, diretor-superintendente do Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP), relatou que o terminal opera hoje com certa folga. Ele salientou que o grande desafio agora, inclusive para o Porto de Santos, será enfrentar o crescimento da exportação de congelados, vindos do Centro-Oeste brasileiro, que têm crescido a uma média de 30% desde 2003. "Poderá faltar porto para escoar essa carga", alertou, lembrando que uma boa safra de grão vai competir com outras cargas e "poderá levar os portos brasileiros ao colapso".

Sergio Leopoldo Rodrigues
Fonte:Diário do Comércio 30/09/05