Comus discute operação em Santos - 29/02/08


"Porto 24h é o PAC racional. Estamos falando de um aumento de produção e ganhos para toda a cadeia sem investimentos em infra-estrutura, apenas ganhos em operação e mudança de procedimentos", disse o coordenador executivo do Comus, José Cândido Senna. publicidade

O Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus, entidade ligada à Associação Comercial de São Paulo, está começando uma discussão em torno de um projeto para tornar a operação no Porto de Santos 24h, aumentando sua eficiência e praticamente dobrando a produtividade - hoje o Porto trabalha em média 12h. As primeiras conversas sobre o assunto ocorreram nesta quinta-feira, 28 de fevereiro, na sede da ACSP, mas de fato o ciclo de debates em torno da questão começa oficialmente na próxima terça-feira, às 17h, com uma reunião em que estará presente Marcelo Marques da Rocha, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista, Sindisan.

O projeto deve ter duas reuniões mensais em São Paulo, que serão intercaladas com visitas ao Porto de Santos ou realizadas no próprio Porto. Também haverão reuniões em cidades do interior com grande atividade de comércio exterior, aproveitando a estrutura do Programa Exporta São Paulo, do governo do estado. A idéia do coordenador executivo do Comus, José Cândido Senna, com o projeto é não apenas apontar os culpados e os problemas que as empresas enfrentam, mas definir soluções e medidas a serem tomadas para que o Porto passe a funcionar em período integral.

"O Porto 24h é o PAC racional. Estamos falando de um aumento de produção e ganhos para toda a cadeia sem investimentos em infra-estrutura, apenas investimentos em operação e mudança de procedimentos", defende Senna. Para exemplificar os problemas, ele conta que há algumas semanas técnicos da Receita Federal contaram a ele que o órgão não funciona 24h no Porto porque não há demanda por parte das exportações e importações.

Para buscar a solução dos problemas o Comus vai chamar para o debate todos os atores do processo e entidades representativas de cada setor. A intenção é debater e negociar com uma de cada vez, levando os avanços para as discussões com as categorias seguintes. Quando houverem avanços significativos e ao final do projeto, Senna pretende realizar eventos maiores, como seminários, para divulgar as ações do projeto e ampliar as discussões. O projeto está previsto para durar até o final de 2009. "Creio que dois anos sejam suficientes. E, com certeza, teremos ganhos significativos no decorrer do processo", afirmou Senna.

Uma das preocupações citadas durante o encontro desta quinta-feira é em relação às negociações que serão feitas com os sindicatos de trabalhadores do Porto. Há um certo temor de que a categoria dificulte as conversas sobre criação de novas jornadas de trabalho, mesmo isso representando novas contratações. Para Senna, a solução é deixar as negociações com estes órgãos para o final do processo, chegando a eles com resultados e propostas mais sólidas. "Acho difícil alguém não se interessar pelo projeto. Todos ganham - os exportadores/importadores com mais cargas comercializadas, armadores com mais carregamentos, os trabalhadores com novos postos, e assim por diante", resume o coordenador do Comus.

Em relação à participação do governo, Senna acredita que tudo virá com o tempo. "O governo geralmente age de forma reativa. Assim que virem que estamos nos organizando, que há uma demanda nesse sentido creio que ele entrará no processo."

Foto: José Cândido Senna
(Crédito: divulgação)

Por Tiago Agostini - São Paulo


 
Fonte:NetMarinha, 03 de março de 2008