Adragagem do berço (onde atracam os navios) e do canal que leva as embarcações até o Porto de Santos vai bem para a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), que administra o maior porto do País, e não tão bem para empresários que ainda enxergam na falta de calado (profundidade) uma ameaça para seus negócios de exportação e importação.
O diretor de Infra-Estrutura e Serviços da Cia Docas, Arnaldo Barreto, tentou mostrar que "não há falta de profundidade no Porto". Ele creditou muitos dos atuais problemas à falta de investimento no Porto de Santos, nos últimos 20 anos. "Ninguém lutava por nós para que pudéssemos investir."
No entanto, garantiu que "felizmente essa situação mudou" nos últimos anos e que o governo federal está ciente das necessidades do Porto, "que não pára nunca de crescer", que é fundamental para o sucesso do comércio exterior brasileiro. No início deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL), se encontraram e acertaram trabalhar juntos para melhorar a infra-estrutura do Porto, com destaque para a dragagem.
Falta calado – Mesmo com a reclamação de armadores, que afirmaram ter que desviar seus navios para outros portos por falta de calado, Arnaldo Barreto garantiu que a dragagem do canal e do berço do cais estão em dia, durante palestra feita na semana passada no Comitê de Usuários de Portos e Aeroportos (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele fez um relato do trabalho já executado, lembrando que o atraso se deveu às duras exigências ambientais impostas pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesp). "Depois de muitos contratempos conseguimos a licença ambiental", disse.
Isso, segundo Barreto, acelerou o processo mesmo com a limitação de dragagem imposta pela Cetesb. "O total de 5 milhões de metros cúbicos de dragagem, que dividido em um ano é de 410 mil metros cúbicos é suficiente", afirmou e conclamou os críticos do trabalho da Codesp a lutarem juntos para elevar esses limites. Adiantou que a dragagem do canal está 80% feita e a do berço, entre 30% e 35%.
O diretor da Codesp disse que o edital de aprofundamento do Porto está pronto e previu que no prazo de 24 meses o calado irá para 15 metros. "A idéia é passar tudo para 16 metros e, se o mercado pedir, para 17 metros em 10 anos", projetou. Lembrou, contudo, que persistem problemas ambientais a serem resolvidos. Participantes do debate puseram em dúvida a realização dessas metas, levando em conta a falta de recursos.
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