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O secretário estadual de Transportes, Dario Rais Lopes, manifestou
preocupação com a criação de uma cobrança
por alguns terminais, entre os quais do Porto de Santos, para ressarcir
custos com o plano de segurança contra ataques terroristas, o
ISPS Code.
‘‘O nosso receio é que o custo adicional em segurança
seja integrado ao modal portuário’’, afirmou Lopes, na última
quinta-feira, na sede da Associação Comercial de São Paulo
(ACSP), na Capital.
Diversos terminais portuários no Brasil e em outros países instituíram
a cobrança de um valor que incide sobre o contêiner cheio de exportação
e importação. E ainda sobre a carga não conteinerizada,
para compensar os gastos que tiveram com a implantação das normas
de segurança — conjunto de procedimentos sem os quais as instalações
portuárias podem se tornar inaptas a operar.
No complexo santista, a medida foi adotada pela Santos Brasil, pela Libra Terminais
e pelo Terminal de Contêiner da Margem Direita (Tecondi). Na Santos Brasil,
operadora do Tecon (em Guarujá), a taxa passou a ser cobrada a partir
de 1º de julho, quando o ISPS Code passou a vigorar. Nas demais, desde 1º de
agosto.
Mas diferentemente dos concorrentes, na Santos Brasil o preço recai apenas
sobre contêiner de exportação. A empresa cobrava R$ 20,00
por unidade.
Como a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) foi acionada
por exportadores e está analisando a instituição da tarifa,
a Santos Brasil suspendeu a cobrança desde o último dia 16 até que
a Antaq se manifeste novamente.
Transparência
No encontro promovido pelo Comitê de Usuários dos Portos do Estado
de São Paulo (Comus), Rais Lopes defendeu ‘‘transparência’’ na
definição dos valores. A Libra Terminais criou por exemplo a cobrança
de 0,07% do valor FOB (free on board, a carga isenta de impostos) e ainda exige
R$ 150,00 do contêiner de importação cuja mercadoria não
for informada em até dez dias após desembarcada no terminal.
O Tecondi talhou em R$ 29,37 o valor do contêiner cheio e R$ 1,95 por tonelada
de carga solta, ambos no caso de importação ou exportação.
Estava presente ao encontro, que abordou os problemas viários nos modais
do Estado — notadamente no Porto de Santos — o presidente da Santos
Brasil, Wady Jasmim.
Ele disse que a cobrança é uma realidade. ‘‘Alguns
terminais estão cobrando menos, outros mais e outros não. Mas não
existe nenhuma garantia para o exportador de que sua carga vai chegar em determiando
porto que não tenha o ISPS Code’’.
O secretário Lopes afirmou, que ‘‘não vamos engolir
um monte de taxas’’, referindo-se a uma onda de insegurança,
anos atrás nos Estados Unidos, e que obrigou a criação de
taxas de segurança nos aeroportos.
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