Infraero premiará importadores
 

A Infraero, empresa que administra os aeroportos brasileiros, começará a certificar e premiar a eficiência das empresas importadoras que utilizam o aeroporto Governador André Franco Montoro, em Guarulhos. A idéia é motivar os importadores a identificar em sua cadeia logística os pontos menos eficientes. Com a medida, espera-se diminuir o tempo de liberação das cargas que entram pelo aeroporto, hoje considerado extremamente elevado. O tempo médio para liberação da carga que chega ao País por Guarulhos no mês de fevereiro foi de 90 horas e 43 minutos, ou quase quatro dias, revela acompanhamento da Infraero.

A informação foi divulgada na última reunião do Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos de São Paulo (Comus), realizado na Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

A certificação será feita em parceria com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e tem como base o Programa de Eficiência Logística que a Infraero tenta implantar nos aeroportos brasileiros. O programa consiste na decomposição do tempo das diferentes etapas do processo de desembaraço de uma carga importada. Cada empresa importadora terá acesso a esses dados, podendo identificar suas deficiências.

No acompanhamento feito em Guarulhos ao longo de fevereiro, os despachantes apareceram como os que mais retiveram as cargas. Na média, as mercadorias ficaram cerca de 51 horas nas mãos dos despachantes antes de serem liberadas para as etapas seguintes (ver tabela). Vale lembrar que no levantamento não foi considerado o tempo que a carga ficou parada no despachante por erros cometidos em etapas anteriores como, por exemplo, no caso de preenchimento incorreto de documentos pela companhia aérea ou pela própria empresa importadora.

Experiência – O Programa de Eficiência Logística e a premiação já foram implantados com sucesso em Viracopos, em Campinas (SP). "A intenção é fazer um sistema aeroportuário coeso. Queremos que Guarulhos e Viracopos tenham eficiência semelhante para que o importador escolha qual aeroporto é mais conveniente pelo critério logístico, não pela velocidade de desembaraço", diz o gerente de logística Sudeste da Infraero, Carlos Alberto Alcântara.

O processo de padronização dos sistemas de movimentação de carga nos aeroportos ainda envolve São José dos Campos. Para entrar nesse sistema, porém, o aeroporto precisa de grandes investimentos que o capacitem para receber com regularidade cargas importadas.

A certificação atingirá os diferentes segmentos importadores. Na experiência em Viracopos foram obtidos tempos considerados bons no ano passado, levando-se em conta a burocracia envolvida no processo de importação existente no Brasil. No segmento automotivo, por exemplo, a Scania conseguiu fechar o mês de março de 2006 com tempo médio de 13 horas e 18 minutos para liberar suas cargas. Nesse mesmo mês, a Celéstica do Brasil, do segmento de informática, conseguiu liberar cargas com tempo médio de 18 horas e 12 minutos.

Inicialmente, as empresas monitoradas no programa de eficiência da Infraero são as que fazem ao menos 20 importações por mês. No ano passado, 24% dos US$ 91,3 bilhões importados pelo Brasil usaram o modal aéreo.


 
Fonte:Diário do Comércio, 23 de abril de 2007