Investimentos para modernizar o Porto de Santos
 
 
Um investimento de R$ 440 milhões para modernizar e ampliar o Terminal de Granéis do Guarujá (TGG) e o Terminal Marítimo do Guarujá (Temag) dará um enorme ganho de produtividade às exportações do complexo soja. Mas o sucesso dessa iniciativa também depende da agilidade da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) para melhorar a infra-estrutura do Porto de Santos.

As obras da primeira fase do projeto da Ferronorte SA, iniciadas em abril deste ano, estarão concluídas em dezembro de 2006, mas a ferrovia estará operando já a partir de outubro. De olho na safra de 2007, poderá escoar farelo e soja numa área de influência direta que abrange o Mato Grosso e, indireta, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo e um pedaço de Minas Gerais.

O superintendente do TGG, Washington Flores, acrescentou que, para o terminal ter a eficiência econômica desejada, será preciso aprofundar o calado do cais para 15,15 metros, o suficiente para o atracamento de navios cope size, capazes de carregar até 120 mil toneldas, quase o dobro dos navios panamax, com capacidade média de 60 mil toneladas.

Mais infra-estrutura – "O nosso berço (parede do cais) já está adequado para a dragagem", antecipou Flores, durante uma reunião do Comitê dos Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na semana passada.

A segunda fase do projeto, que prevê ampliação da capacidade de carregamento e armazenagem, além de um parque de tanques de óleos vegetais, ainda não tem data de início confirmada.

A primeira fase inclui uma reforma nos armazéns do pier, instalação de quatro torres de carregamento de grãos com capacidade de 1,5 mil toneladas/hora cada uma e um sistema ferroviário inovador que pode abrigar uma composição de 72 vagões sem interromper o tráfego de veículos (caminhões, carros, etc.) no perímetro do porto.

Washinton Flores explicou que o TGG cria uma logística ferroviária capaz de evitar as grandes perdas do complexo soja ocorridas pelo transporte rodoviário, reduzir o tempo de espera dos navios no porto – e com isso evitar perdas financeiras – e, com a dragagem, obter redução no custo do frete, com a utilização de navios de grande porte.

Apenas no custo do transporte ferroviário, o TGG garante uma economia de, aproximadamente, 20% por tonelada apanhada em Rondonópolis (MT) com destino ao Porto de Santos, em comparação aos portos de Vitória e Paranaguá. O terminal projeta uma capacidade inicial de embarque de 4,5 milhões de toneladas apenas de soja e farelo para 2007, chegando a 5,8 milhões de toneladas em 2011.

Segundo Flores, os acionistas do projeto – Ferronorte, Bunge Alimentos e Amaggi, no caso do TGG; e Ferronorte, Bunge Fertilizantes e Fertimport no caso do Temag – estão otimistas, mas contam com as melhorias da infra-estrutura do Porto de Santos "para alavancar o negócio", capaz de dar novo impulso para as exportações do complexo soja.


Sergio Leopoldo Rodrigues
Fonte:Diário do Comércio 18/11/05