UM SETOR QUE CRESCE COM O AUMENTO DO FLUXO COMERCIAL
Esses pontos de desembaraço aduaneiro movimentam 10% das cargas e vêm conquistando altos lucros
A Wilson Sons teve o maior faturamento do setor, segundo a Receita.
Em 2007, o grupo Wilson Sons teve uma receita líquida de US$ 404 milhões com todas as suas operações.
Conforme o Comus, 70% da carga movimentada é de importados.
Localização estratégica favorece
Porto pode ser usado para nacionalizar produtos
A Wilson Sons teve 49% de expansão no trimestre
Adespeito da valorização do real em comparação ao dólar, o País registrou volumes recordes em julho, tanto para as exportações como para as importações. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o fluxo comercial no mês (soma de importações e exportações) alcançou US$ 37,602 bilhões, resultado de exportações de US$ 20,453 bilhões e importações de US$ 17,149 bilhões. Mas o ritmo de importações está mais acelerado do que o das vendas externas. Ao menos, um setor comemora essa tendência, os portos secos, responsáveis por cerca de 10% da movimentação de carga total do comércio exterior.
"Cada vez mais os portos secos se tornam uma opção para o comércio exterior, principalmente quando se analisam os gargalos de infra-estrutura que o setor enfrenta por conta de sua expansão", diz Thomas Ritscher III, diretor-executivo da Wilson Sons Logística, empresa que administra o Porto Seco de Santo André (SP). A empresa ocupou em julho o primeiro lugar no ranking de faturamento dos portos secos divulgado pela Receita Federal, à frente de oito concorrentes.
Os números são mantidos em sigilo, porque as empresas que administram esses recintos possuem capital aberto e o resultado pode interferir na evolução dos negócios. Entretanto, no ano passado, o grupo Wilson Sons teve uma receita líquida de US$ 404 milhões; e as unidades envolvendo terminais portuários e logística, onde o porto seco está inserido, responderam por 54% desse total. Só no primeiro trimestre deste ano, a receita líquida da Wilson Sons Logística teve aumento de 49,6% em relação a igual período de 2007.
A localização é outro fator que, na opinião de Ritscher, favorece o desempenho da organização. Próximo às principais empresas do pólo industrial do ABC paulista, dos aeroportos do Estado de São Paulo e do próprio porto de Santos, o executivo cita ainda o fato de o porto seco estar localizado em um complexo logístico que, além do terminal alfandegado, compreende um centro de distribuição com profissionais aptos a desenvolver soluções logísticas que vão além do desembaraço aduaneiro.
"Por ser um porto público, o empresário pode utilizar o porto seco apenas para a nacionalização de suas importações. Mas se quiser uma solução logística completa, temos experiência para isso", afirma o executivo.
Mercado a explorar – Para José Cândido Senna, coordenador executivo do Comitê de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), apesar da expansão verificada nos últimos anos, os portos secos ainda possuem um grande mercado a explorar. Segundo ele, esses recintos estão muito aquém da real capacidade e das vantagens logísticas e fiscais que podem oferecer para o crescimento das importações e exportações do Brasil.
Para se ter uma idéia, esses recintos podem atender todos os segmentos da economia. Na exportação, por exemplo, destacam-se o agronegócio, a indústria calçadista, equipamentos de informática e o setor metal-mecânico, enquanto na importação sobressaem as indústrias automobilísticas, farmacêuticas, de informática e de componentes eletroeletrônicos. Segundo Senna, os portos secos são benéficos, principalmente para os importadores, responsáveis por aproximadamente 70% da carga movimentada nesses locais.
Esse potencial de crescimento pode ser ainda maior quando se verifica que, além de funcionar como espaço para armazenagem de carga até o efetivo desembaraço pelos órgãos responsáveis, também pode ser utilizado como porto seco industrial. Ou seja, estabelecimentos industriais podem se instalar no local para desenvolver atividades utilizando insumos importados, com a suspensão de impostos incidentes na importação.
Nesse caso, é necessária uma autorização da Receita Federal para a instalação de uma linha de produção em área delimitada dentro do entreposto aduaneiro. Com essa autorização, o porto pode receber insumos importados e nacionais com suspensão de impostos incidentes na importação, como IPI, ICMS, PIS e Cofins. Depois, o produto final pode ser exportado com isenção de impostos ou vendido no mercado interno com pagamento normal dos tributos. Por enquanto, apenas a cidade de Betim (MG) possui um porto seco industrial. |