| Acordo histórico vai baratear custo de operações em Santos | |
| Mas serão precisos ainda três anos para seus efeitos resultarem em ganhos de custos aos exportadores. No entanto, o acordo evitou, de imediato, um aumento de até 90% no custo da mão de obra, que incide nas operações. "O acordo é um divisor de águas na história trabalhista brasileira", disse Sérgio de Aquino, coordenador da Câmara. A notícia injetou ânimo nos especialistas em comércio exterior e exportadores que participaram na última quinta-feira da reunião do Conselho de Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "É um fato histórico que vai ajudar Santos a ser um porto concentrador (base para transações mundiais)", disse o coordenador do Comus, José Cândido Senna, que luta pela modernização do porto desde 1993. Estratégia – O acordo é importante também porque deverá se tornar um paradigma para outras câmaras do Porto. "Ele abre enormes perspectivas para redução de custos e aumento de produtividade que irão tornar Santos bem mais competitivo", insistiu Senna. Sérgio de Aquino relatou a estratégia adotada para chegar ao acordo. Explicou que os custos da movimentação de contêineres estavam explodindo com a obrigatoriedade de 12 trabalhadores por operação, quando a maioria delas hoje pode ser feita sem estivadores. Mas a redução de pessoal esbarrava sempre na tese, defendida historicamente pelos trabalhadores, de que ela iria gerar uma crise social. Para mostrar que isso não era verdade ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), cujos julgamentos eram quase sempre favoráveis aos trabalhadores, foram elaborados estudos técnicos, com dados do Órgão Gestor de Mão de Obra (OGMO) do porto. Os números revelaram, por exemplo, que dos 6 mil estivadores somente 1.192 iam trabalhar 11 meses por ano, e, mesmo assim, na média de apenas um dia por mês. "Eles dependiam pouco desse trabalho", salientou Aquino, lembrando que hoje apenas 600 estivadores seriam suficientes. Ele acrescentou que a produtividade no porto cresceu 37% entre 1999 e 2004 com ganhos para os trabalhadores. Aos poucos as sentenças começaram a mudar e a do TSE, publicada em 3 de dezembro de 2004, foi decisiva. Depois da sentença, mais negociação e acordo. "Foi uma assembléia história que reduziu a equipe de 12 para 4 estivadores, por operação, este ano, chegando a 3 em 2007", esclareceu.
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| Sergio Leopoldo Rodrigues |
Fonte:Diário do Comércio 07/03/05
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