Luiz Prado/Luz

Senna: logística complexa.
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Uma das mais importantes iniciativas para movimentar com rapidez e eficiência o crescente fluxo de exportação e importação do Brasil é o projeto do "Porto 24 Horas" – para o Porto de Santos –, liderado pelo Comitê dos Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O projeto está avançando rapidamente entre os agentes privados do porto.
"Feita a lição de casa, vamos então aprofundar as conversas com os agentes públicos do porto", disse José Cândido Senna, coordenador executivo do Comus. Por representar uma enorme mudança de cultura, a entidade está levando o debate para o interior paulista. O objetivo é desenvolver formas de sincronizar as entradas (importações) e saídas (exportações) de carga, nos terminais da Baixada Santista. |
Uma das proposições do projeto, segundo Senna, é não permitir que um contêiner carregado fique parado mais que um dia e meio (dois, no máximo) no porto, antes do embarque ou após o desembarque. Esse prazo dará a Santos uma produtividade semelhante aos melhores portos da Ásia e Europa. Mas há muitas outras questões envolvidas nesse trabalho, que Senna reconhece não ser fácil.
"O trabalho", explicou, "exige uma logística muito complexa" que envolve não apenas a autoridade portuária, mas concessionárias de estradas, gestão de pátios de caminhões e de contêineres sem carga, até prefeituras e setores da administração estadual e federal. Um exemplo de mudança necessária será usar os horários em que o fluxo de veículos no Sistema Anchieta-Imigrantes está fraco. "Das 20h às 6h o sistema é mais ocioso num dia normal de semana", relatou o engenheiro Eduardo Di Gregório, gerente de Operações da Concessionária Ecovias dos Imigrantes, durante reunião do Comus, na semana passada. Bem utilizado, acrescentou, esse período poderia garantir agilidade ao transporte de carga que se dirige ao porto, ou que retorna ao interior paulista e a outros pontos do País. Até porque o fluxo de caminhões no sistema vem crescendo 6% ao ano.
A média mensal do fluxo de tráfego comercial no sistema foi de 300 mil veículos (descida) e 252 mil veículos (subida) em 2007. Só no primeiro trimestre de 2008 foi registrado um crescimento de 6,62% (1,4 milhão de veículos comerciais), em relação a igual período em 2007 (1,31 milhão). Por isso, qualquer decisão estadual ou municipal, como a ampliação do rodízio de veículos para as marginais dos rios Pinheiros e Tietê, precisa considerar seus reflexos no funcionamento do porto. |