Especialização
é fundamental em comércio exterior Tema foi debatido durante
seminário na Associação Comercial de S. Bernardo Não
é novidade o fato de que as pequenas e médias empresas brasileiras
exportam pouco. Segundo dados do governo e do Sebrae, as vendas externas
dessas firmas estão, atualmente, em torno de 12%. Na Itália
e em Taiwan, por exemplo, o nível beira os 50%. As razões
para esse quadro no Brasil são várias: escassez de financiamento,
custos altos, elevada carga tributária. Mas existe ainda uma questão
não financeira que prejudica os pequenos na hora de exportar: o pouco
acesso a informações precisas sobre como operar no mercado
externo. Por isso, a Federação das Associações
Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), em parceria com outras
Associações Comerciais, criou, em 1998, o projeto "Dobrando
as vendas externas com as comerciais exportadoras - como conseguir US$ 100
bilhões de exportações". Mais uma edição
do seminário "Exportar para Crescer - novos caminhos para o
mercado externo", que faz parte do projeto, foi realizada na semana
passada, na Associação Comercial e Industrial de São
Bernardo do Campo (Acisbec). "A orientação é fundamental
para o pequeno empresário", afirma o presidente da Acisbec e
vice-presidente da Facesp, Valter Moura. "É preciso entender
que exportar não é o bicho de sete cabeças que muitos
pintam, mas requer conhecimentos específicos. As grandes empresas
têm departamentos de comércio exterior, andam com as próprias
pernas. Os pequenos não. Por isso, fazemos esses seminários".
O diretor do projeto, José Cândido Senna, concorda. "Nesse
evento de São Bernardo, tivemos novamente a confirmação
de que as premissas de nosso programa de exportações estão
corretas", afirmou. Para ele, "é preciso aproveitar a especialização
de atividades no comércio exterior". Um dos pontos centrais
do programa da Facesp é mostrar aos empresários a possibilidade
de buscar empresas específicas que façam a prospecção
de mercados e de possíveis clientes - as comerciais exportadoras
- e que possam efetuar as entregas das mercadorias nas condições
e prazos especificados pelos importadoras - os chamados operadores de logística.
"Separando as atividades, aproveita-se o que cada segmento faz de melhor.
A empresa tem de se concentrar em produzir. A comercial exportadora trata
do comércio e o operador logístico, da distribuição",
avalia Senna. No evento de São Bernardo, estiveram presentes cerca
de 150 pessoas, entre empresários, professores e alunos de faculdades,
como a Universidade Metodista e a Fundação Santo André,
e representantes do Sebrae. O seminário foi dividido em dois dias.
O primeiro dia foi aberto com uma exposição do deputado federal
Antonio Delfim Neto, sobre o panorama geral das exportações
brasileiras. Foi seguida por painéis técnicos sobre sobre
operações simplificadas de exportação e importação,
garantias de recebimento e redução dos riscos das operações,
Programa de Apoio Tecnológico à Empresa Exportadora (Progex),
entre outros. "Como aconteceu nas edições anteriores
do seminário, as palestras abordaram assuntos práticos e objetivos,
como os seguros para exportação, a função do
despachante, como realizar operações de câmbio e outros
temas de interesse dos empresários", afirmou Moura. No segundo
dia, houve rodadas de negócios entre os participantes. Ainda durante
o evento, a Acisbec anunciou a criação de seu departamento
de comércio exterior.
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