Como os pequenos fazem para exportar

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Empreendedores acham meios de driblar as dificuldades burocráticas e de financiamento e conseguem vender para fora Evellyn Martins e Sérgio Peres, da confecção Marea: "inverno o ano todo" Ricardo Lui/Pool7 Por que as micro e pequenas empresas brasileiras não exportam? Porque não têm acesso a financiamento, não têm capital de giro etc. etc. Deixando de lado a eterna ladainha, empresários, comerciais exportadoras e importadoras, traders e operadores logísticos se reuniram na sexta-feira na Associação Comercial de São Paulo na segunda roda de negócios do projeto "Dobrando as Vendas Externas com as Comerciais Exportadoras". As micro e pequenas empresas responderam no ano passado por 12% das exportações brasileiras. Apesar de reconhecer que os caminhos do mercado externo são tortuosos, esses empresários estão dispostos a arregaçar as mangas. Alguns já ensaiam os primeiros passos e a Associação Comercial está ajudando. Uma nova rodada de negócios entre pequenos fabricantes e comerciais exportadoras e importadoras deverá acontecer em setembro, disse José Candido

Traders e empresários dão dicas para negociar no Exterior Conselhos de exportação das comerciais exportadoras e importadoras, traders e operadores de logística O valor e a quantidade da exportação não deve inibir o fabricante O pequeno empresário deve se concentrar na produção e deixar a venda e a logística para especialistas As roupas precisam estar dentro da especificação de cada mercado, levando-se em conta tamanhos e discriminação da composição do produto na etiqueta Qualidade e preço competitivos são fundamentais no mercado externo O produto deve estar ajustado em termos de design e embalagem. O IPT, por intermédio do Progex, pode orientar os pequenos empreendedores A empresa deve estar estruturada administrativamente.

Senna, coordenador do projeto. Debutantes – Os sócios da Confecção Marea, do Brás, uma microempresa que emprega quatro funcionários, querem buscar o mercado externo para fugir da sazonalidade interna do produto que fabricam: jaquetas de couro sintético. Com o produto na sacola, Sérgio Peres e Evellyn Martins Peres vieram olhar de perto o que acontece numa roda de negócios. Resultado: pelo menos uma das comerciais exportadoras presentes, a Call Export, que faz exportações de pequenos lotes de confecções compradas no Brás para os Estados Unidos, se mostrou interessada. A confecção produz 20 mil peças por estação, faturando cerca de R$ 150 mil. Como a Marea ainda não exporta, no verão brasileiro, tem de se voltar para a produção de blusinhas em suplex e jeans infantil, peças mais baratas, que reduz esse faturamento. "A idéia é manter a festa que termina com o o inverno durante o ano todo". Engatinhando – Os primeiros passos no mercado externo a Bonito & Companhia, que produz modeladores, malhas para recuperação de queimados e soutiens para mulheres que fizeram cirurgia de mama, já deu. A empresa tem exportado para o Chile, Argentina, Portugal e Espanha por intermédio do Exporta Fácil, dos Correios. Além disso, está vendendo diretamente para compradores estrangeiros que participam de congressos médicos. "Um médico da República Dominicana leva todos os meses cerca 400 peças quando vem ao Brasil", diz a proprietária Marta de Paula Conceição. A Bonito, que faz entre 40 mil e 50 mil peças ao mês, também está se preparando: está produzindo catálogos em espanhol e inglês e agora está no Progex, Programa de Exportação do IPT, diz o proprietário Ronaldo da Conceição, angustiado em encontrar rapidamente a trilha do mercado externo. "Da mesma forma que o brasileiro se encanta com o produto estrangeiro gostaria que povos de outros países se beneficiassem com nossa roupa, que tem qualidade", diz. Tradição – O quase centenário Laboratório Cera Dr. Lustosa, de São João Del Rei, Minas Gerais, também vislumbra no mercado externo um jeito de a empresa deslanchar. Com um produto barato, a cera Dr. Lustosa, usada para aliviar a dor de dente, quer ganhar o mundo, diz Roberto Fontes Lustosa. Há menos de um ano no comando da microempresa, Roberto, da terceira geração da família, modificou a embalagem do produto, investiu em máquinário e dobrou a produção. "Há dez anos a empresa mantinha-se praticamente parada no tempo". O animado neto do Dr. Lustosa, criador da cera, vê possibilidade nos novos mercados do Brasil como os da África, Índia, China e Oriente Médio. A empresa tem ainda dois outros produtos na cartola – um tira calos e um tira verrugas – que podem ser lançados quando os frutos da reestruturação e da exportação amadurecerem. Experiência – Com um certo know how de mercado externo, a Papéis Amália, de Campinas, tem 30% do seu faturamento proveniente de exportações. A empresa, que emprega 130 funcionários e fatura R$ 1,6 milhão por mês, coloca seus produtos na América Central, América Latina e Estados Unidos e quer ampliar esses horizontes, diz a assistente de exportação Márcia da Silva. Com dois novos produtos voltados aos segmento de cadernos escolares, Papéis Amália também quer fugir da sazonalidade do mercado brasileiro. "O período escolar na Europa, por exemplo, é diferente do brasileiro".

Projeto Dobrando as Vendas Externas
Para se inscrever para a próxima rodada de negócios, entrar em contato com o Departamento de Comércio Exterior da Associação Comercial. Tel: (11) 3244-3500 ou 3244-3397

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Terezinha Matos

Fonte: Diário do Comércio, página 6, 12/08/2002