| Pequena empresa exporta 12% do total brasileiro |
. |
As micro e pequenas empresas continuam procurando encontrar caminho para aumentar sua participação no mercado externo. Ontem, mais uma vez, algumas dezena de empresários se reuniram durante todo o dia na sede da Associação Comercial em São Paulo no seminário "Exportar para Crescer - Novos Caminhos para o Mercado Externo", promovido pela entidade e pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a procura desses atalhos. As micro e pequenas empresas responderam por 12% das vendas externas brasileiras que, no ano passado, somaram US$ 58 bilhões. "As pequenas contribuíram com a balança favorável dos últimos anos, especialmente o incremento de suas vendas para o Mercosul", disse ontem o analista de comércio exterior da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Carlos Alberto Leite Coutinho Filho. Para justificar essa importância, o técnico lembra que, das 294 exportadoras que participaram do Programa de Financiamento à Exportação (Proex) em 2001, 64% (187 empresas) são de pequeno e médio portes. Das 294 empresas beneficiadas, 40,8% realizaram operações de até US$ 100 mil. Mercosul As micro e pequenas empresas paulistas (com até 19 empregados) exportam especialmente para os países da América Latina e Estados Unidos. O primeiro maior mercado em 2000 (último dado disponível) era a Argentina (27%) e o segundo os Estados Unidos (10%). "A proximidade e as afinidades culturais e linguísticas favorecem os negócios", destacou o técnico da Camex. As pequenas empresas também enxergam vantagens em exportar. Das 10.372 micro e pequenas exportadoras do Estado 59% vêem o mercado externo como uma oportunidade de aumentar vendas, 48% de expansão da empresa e dos negócios e 44% como maneira de diversificar mercados. Dificuldades Mas encontram dificuldades. José Cândido Senna, que coordenou o evento e o programa Dobrando as Vendas Externas com as Comerciais Exportadoras, aponta alguns fatores inibidores como o conhecimento insuficiente do mercado externo; dificuldades para divulgar o produto no Exterior; desconhecimento dos procedimentos para exportar e conhecimento insuficiente da exportação. "A exportação tem que ser vista como uma atividade lucrativa", diz. Segundo ele, o melhor caminho é a especialização, com a indústria produzindo, a comercial exportadora colocando o produto no exterior e o operador logístico gerenciando as entregas. Comerciais exportadoras A Associação Comercial e a Facesp, através do projeto Dobrando as Vendas Externas com as Comerciais Exportadoras, está mostrando um caminho aos fabricantes interessados no mercado externo. "As exportações dos pequenos poderiam ser feitas por meio de famílias de produtos, permitindo ao pequeno ganhar escala e atingir o mercado externo", comentou o diretor do projeto. A Associação já mantém um cadastro com quase 500 comerciais exportadoras e importadoras, 29 traders, 41 trading companies, filiadas à Associação Brasileira das Empresas de Trading e 1,5 mil despachantes. Também catalogou 30.810 fabricantes de bens que integram as famílias de produtos com dinamismo exportador. |
| . |
| Teresinha Matos |
Fonte: Diário do Comércio, página 6, 09/08/2002 |