Sistema portuário discute seus gargalos
Sergio Leopoldo Rodrigues

Para o Brasil entrar e disputar efetivamente o competitivo jogo do comércio mundial, os navios terão de ficar o menor tempo possível parados nos portos. Hoje, apenas a espera imposta aos navios de contêineres para atracar no Porto de Santos representa um gasto anual a mais de US$ 35 milhões nos custos dos armadores.

Como o volume de movimentação de contêineres cresceu 184% em Santos, entre 2001 e 2007, o que se projeta é um "colapso" para 2009, se nada for feito em caráter de urgência, alertou Roberto Werneck, gerente nacional de importação da CMA-CGM do Brasil, empresa de navegação de origem francesa, terceira no ranking mundial e quinta no Brasil, com uma frota de 365 navios, 25 dos quais próprios.

Werneck reconhece que uma das formas de absorver esse crescimento no curto prazo seria a criação do Porto 24 horas, defendido pelo Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Menos burocracia – Outra iniciativa seria dobrar de 12 para 24 o número de berços (ponto de atracagem) para contêineres, iniciativa que levaria no mínimo três anos se as obras começassem hoje. Considerando essa dificuldade, Werneck propôs, durante reunião do Comus na semana passada, acelerar a implantação do Porto 24 horas e reduzir as exigências burocráticas que atrasam o fluxo dos navios nos portos brasileiros.

"Quando chegamos aos EUA, fazemos a alfândega apenas no aeroporto de entrada e depois podemos circular livremente no país. Aqui deveria ser parecido para os navios que entram e atracam nos vários portos brasileiros", exemplificou. Ele lembrou que todos esses entraves, a-lém da falta de calado (a pouca profundidade do cais), inibem novos investimentos dos armadores no Brasil.

Werneck insistiu em que, se esses problemas não forem resolvidos, o Brasil não avançará no comércio exterior pelo elevado custo da logística, e Santos sofrerá com a transferência de contêineres para outros portos do País. "Os exportadores e importadores vão buscar outras saídas de embarque e desembarque", disse.

Apesar disso, José Candido Senna, coordenador do Comus, mostrou os avanços obtidos pelo Porto de Santos na busca pelo aumento de produtividade e redução de custos. Marcelo Marques da Rocha, do Sindicato das Empresas de Transporte Comercial de Carga do Litoral Paulista, e Osvaldo Freitas Barbosa, superintendente de fiscalização das operações do porto, defenderam novos passos para desburocratizar processos de funcionamento do terminal.