Documentação errada segura exportações
 

Cerca de 30% dos produtos destinados à exportação que chegam ao Aeroporto Internacional de Guarulhos não são despachados imediatamente por problemas na documentação. A maioria dos papéis apresenta diferenças entre o peso declarado e o da mercadoria, ou erros nas tarifas negociadas com as companhias aéreas.

Outro problema com os despachos são as embalagens, nem sempre adequadas aos padrões internacionais. Essas afirmações são de Wagner Borelli, coordenador da Comissão de Coordenação do Terminal de Logística de Cargas (CTT) de Guarulhos. Ele participou, na semana passada, da primeira reunião do ano do Comitê de Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Segundo Borelli, que também é responsável pelo setor de cargas internacionais da companhia aérea American Airlines no Brasil, o problema desses incidentes é que vender ao exterior acaba saindo mais caro do que deveria. "Alguém dentro da cadeia de exportação paga por esses erros", disse.

Sem interesse – O coordenador explicou que a CTT e as companhias aéreas já enviaram material explicativo a todos os interessados nos procedimentos, mas as normas continuam sendo ignoradas pelos exportadores. "Como a maioria dos problemas é na documentação, e se resolve em menos de um dia, as empresas não se interessam em aprender o certo. Mas isso gera custos", afirmou.

Além dos problemas com documentos, as exportadoras não estão preparadas para realizar operações pelos aeroportos, reclamou Borelli. Como exemplo, ele citou empresas que querem enviar carne para o exterior e que não sabem que o aeroporto não tem frigorífico. "Chegam caminhões com toneladas de carne, com 24 horas de antecedência do embarque, que não podemos receber porque não temos onde armazenar", contou. Por isso, este ano está prevista a construção de um frigorífico em Guarulhos.

Importações – No caso das importações, os problemas mais frequentes são a burocracia e a legislação brasileira. "Se há 100 volumes iguais da mesma mercadoria e cai a etiqueta de uma caixa, tudo fica retido. Os processos são simples, mas ao mesmo tempo, burocráticos", disse Borelli.

Outro problema na chegada de produtos é o "jeitinho brasileiro". "Muitas das empresas têm o costume de fazer ajustes na documentação quando a carga chega ao País, o que atrasa os processo", reclamou o representante do aeroporto.

 
Fonte:Diário do Comércio 02/02/05