Porto de Santos longe da privatização |
Um debate realizado na sede da Associação Comercial de São Paulo, ACSP, mostrou que a regionalização do porto enfrenta um novo desafio: qual será o perfil do novo sistema de gestão da empresa que substituirá a Companhia Docas de Santos (Codesp), ligada ao ministério dos Transportes? Proposta Se depender dos empresários e usuários do porto, a administração deveria também ser privatizada, como defendeu Wilen Manteli, presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), apoiado por várias entidades do empresariado paulista. No entanto, o secretário Estadual dos Transportes, Michael Paul Zeitlin, jogou um balde de água fria nessa pretensão: Entendemos que a administração do porto de Santos só pode ser feita pelo poder público. Ele justificou a posição do governador Geraldo Alckmin (PSDB), argumentando que o estado tem qualificação administrativa para integrar o porto no sistema de transporte paulista. Segundo Zeitlin, o porto não é apenas um local de embarque e desembarque de cargas, mas também um instrumento de políticas públicas. Ele não se furtou a fornecer boas pistas de como deverá ser a empresa que substituirá a Codesp há uma comissão estudando o convênio que será firmado entre estado e União. Imagino que possa ser uma empresa S/A de economia mista, onde o estado teria a maioria das ações, disse durante o seminário A Regionalização do porto de Santos. O evento foi promovido pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, Facesp; Associação Comercial; Comitê dos Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus) e Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). As prefeituras de Santos, Guarujá e Cubatão deverão participar dessa nova empresa. Shopping O secretário disse que o porto poderá funcionar como um grande shopping, com o estado fixando regras, mas com operadores privados fazendo o trabalho. Além disso, acredita que o grosso do passivo (dívidas) da Codesp deverá ser absorvido pela União, embora admita que ainda é preciso dimensionar o tamanho da dívida. Fernando Vianna, diretor presidente da Codesp, disee que o porto vem cumprindo seu papel e seus objetivos, apesar das dificuldades que enfrenta depois do processo de privatização dos terminais. Para ele, o porto precisa ser olhado como uma peça importante da economia brasileira e não apenas paulista. Ele apresentou dados sobre a evolução do porto. A movimentação de carga cresceu cinco milhões de toneladas em 2001, ou seja, 11% acima de 2000 passou de 43 para 48 milhões de toneladas. A produtividade dobrou no caso de granel líquido e quadruplicou no granel sólido. Os prefeitos do Guarujá, Maurici Mariano, e de Cubatão, Paulo Mansur e o representante da prefeitura de Santos, José Alvez, defenderam a participação dos seus municípios na nova administração portuária. Mariano acredita que a partir da regionalização será possível garantir o desenvolvimento de áreas de industrialização na vizinhança do porto, um modelo que vinha sendo emperrado na esfera federal. |
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| (Sergio Leopoldo Rodrigues) |
Fonte: Diário do Comércio, edição de 04 de fevereiro de 2002. |