Empresário quer manter espaço em Santos

Porto Regionalização extingui Codesp e concentra a administração nas mãos do Estado e de três municípios

O setor privado quer participar da empresa de economia mista que vai suceder a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) no processo de regionalização do Porto de Santos. Mas terá de se movimentar rapidamente. Pela minuta do convênio de criação da nova empresa, que ainda está sendo elaborada, a sociedade a ser constituída para assumir a regionalização terá participação acionária exclusiva de entes públicos, enquanto a autoridade portuária "permanecerá sendo uma função pública não passível de privatização".

Antes que o grupo de trabalho que prepara a minuta, formado com aprovação do Ministério dos Transportes, bata o martelo nas decisões da regionalização, os empresários fecham sua estratégia no seminário que se realiza hoje na Associação Comercial de São Paulo. O grupo apresenta o texto final da minuta no dia 7.

A posição do setor privado, reunido no Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), é clara. "Estamos defendendo uma governança corporativa, com uma direção profissionalizada e administração estável", sintetiza José Cândido Senna, coordenador do Comus.

A proposta de Senna, sustentada por um contingente de cerca de 10 mil empresas usuárias do porto, pede que as companhias instaladas na hinterlândia, uma área de quase três milhões de quilômetros quadrados, possam participar das decisões sobre o futuro do porto e assim ter tranquilidade para realizarem seus investimentos.

Os empresários querem a redução de custos e de tempo nas operações. "O porto é o show room do país e sua importância transcende a Baixada Santista e São Paulo", avalia o coordenador do Comus, que teme um oportunismo político na futura administração.

Uma das formas de participação dos empresários seria no conselho de administração. Ele qualifica de "critério capenga", o da participação exclusiva do Estado e dos municípios de Santos, Guarujá e Cubatão na futura empresa sob o pretexto de dar algum peso àqueles que pagam a conta.

Atualmente, a Codesp é regida pela Lei das Sociedades Anônimas e há participação dos acionistas minoritários nos conselhos de administração e fiscal. Como há forte concentração de ações dos minoritários em algumas empresas, estas acabam elegendo seus representantes para a administração do porto. Hoje o setor privado participa também do Conselho de Autoridade Portuária (CAP).

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(José Rodrigues)

Fonte: Valor Econômico, de Santos, edição de 31 de janeiro de 2002.