Porto de Santos diminui os seus custos de movimentação |
O custo de movimentação nos custos de movimentação do Porto de Santos caiu pela metade nos últimos cinco anos. O Porto de Santos já conquistou uma redução expressiva nos seus custos, mas isso ainda não é reconhecido pela sociedade, disse André Canoílas, presidente do Órgão Gestor de Mão-de-Obra (OGMO) do Porto, que participou da última reunião do Comitê dos Usuários dos Portos e Aeroportos (Comus), da Associação Comercial de São Paulo, ACSP. Segundo Canoílas, apesar de haver excesso de mão-de-obra disponível, salários elevados, uma legislação trabalhista adversa e falta de escala, em comparação aos portos europeus e norte-americanos, o custo de movimentação de um container caiu, em média, de US$ 550, para US$ 220, nos últimos cinco anos em Roterdan, na Holanda, esse custo é de US$ 125. Ao contrário, apesar das privatizações o custo de operação nas estradas, ferrovias e energia cresceu no mesmo período, enfatizou. No entanto, José Cândido Senna, coordenador do Comus, observou que é preciso ver qual a verdadeira dimensão dessa redução de custos em reais, no bolso dos importadores e exportadores. A comparação em dólar pode não espelhar a realidade, alertou. Para ele, a evolução desse ganho deveria ser avaliada com a aplicação de um índice de preços sobre o real. Proer De qualquer modo, as dificuldades do OGMO em gerir a mão-de-obra herdada de antes da privatização do Porto de Santos ainda persiste. Para superar isso, Senna propõe uma maior interação de todos os usuários do Porto de Santos na busca de soluções, inclusive, na criação de uma espécie de Proer um programa federal de reestruturação do sistema financeiro para resolver definitivamente a questão trabalhista que pesa sobre o Porto e impede uma redução de custos e aumento da sua eficiência. No entanto, o presidente do OGMO acrescentou que muito já foi feito nesse sentido de 1995 para cá. Mas o contingente de trabalhadores ainda é grande: 10.939 pessoas 6.345 registrados e 4.594 cadastrados representados por 10 sindicatos de categoria. Essa quantidade ainda dificulta a relação capital-trabalho no Porto, disse Canoílas. Há, segundo ele, uma explicação: enquanto outros setores privatizados ou não siderúrgicas e bancos, por exemplo se adequaram às novas realidades de mercado desmobilizando mão-de-obra, o mesmo não foi feito no Porto de Santos, apesar da introdução de equipamentos modernos nas operações portuárias. Enquanto isso algumas equipes de trabalho continuam superdimensionadas, esclareceu. Sentença Para Henry James Robinson, vice-presidente do Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp), uma saída para a questão da mão-de-obra seria a introdução de um fator externo às negociações: ou uma sentença judicial, que permita uma redução dos quadros com responsabilidade social já que a atividade portuária faz parte da vida da cidade de Santos ou o estabelecimento de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), obtido por meio de um pacto entre capital e trabalho. |
| . |
| (Sergio Leopoldo Rodrigues) |
Fonte: Diário do Comércio, edição de 30 de novembro de 2001. |