Porto de Santos acelera atendimento

A modernização do porto de Santos chegou ao serviço alfandegário, fundamental para agilizar a entrada e saída de mercadorias no País. As mudanças ocorreram numa tal velocidade que está sendo criada uma cartilha detalhada sobre as etapas de procedimento para exportadores e importadores liberarem o mais rápido possível suas cargas.

Essa cartilha será distribuída para os usuários do porto e também para o próprio pessoal da alfândega, que hoje trabalha os 365 dias do ano. "A cartilha é para todo mundo entender", explicou Dimas Monteiro de Barros, inspetor substituto da alfândega do porto de Santos, durante palestra no Comitê dos Usuários de Portos e Aeroportos do Estado de São Paulo (Comus), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Ensino – Paralelamente, a alfândega prepara um manual com todos os procedimentos que ocorrem no porto, até os mais técnicos. A idéia da cartilha e do manual surgiram a partir da constatação de que mais de 60% dos atrasos, nos despachos de exportação e importação, ocorrem por erros básicos e até banais no preenchimento dos papéis de desembaraço das mercadorias.

Monteiro de Barros lembrou que o esforço de agilização da alfândega já reduziu o tempo de desembaraço das exportações para a média de um dia e das importações, entre um e quatro dias, no máximo. A seguir, as principais sugestões contidas na cartilha.

  • O exportador deve ser cuidadoso na escolha do seu representante, buscando o maior número de informações sobre os serviços do despachante aduaneiro.
  • Solicitar a Receita Federal (RF) a instalação do Siscomex (Sistema Integrado de Comércio Exterior) na própria empresa, para poder acompanhar diretamente do escritório, todo o andamento do seu despacho.
  • Comparecer na alfândega para acompanhar a conferência física da mercadoria.
  • Entregar o quanto antes os documentos para análise da fiscalização pela alfândega.
  • Verificar o correto enquadramento da operação e se o valor declarado na nota fiscal é o mesmo informado no despacho.
  • Observar se a descrição da mercadoria e o peso bruto declarado estão compatíveis com o descrito na nota fiscal.
  • Classificar corretamente o produto conforme sua posição tarifária.
  • Apresentar a primeira via da nota fiscal corretamente preenchida, com detalhe de peso, quantidade e demais elementos de identificação.
  • Na exportação de máquinas e equipamentos informar o modelo e número de série.
  • Apresentar o certificado de origem para a exportação do café; certificado sanitário para o embarque da carne e certificado de classificação para soja.
  • Quando houver alteração da razão social da empresa, juntar os documentos que comprovem a alteração.

Feito tudo isso, o desembaraço estará feito e a mercadoria pronta para embarque. No entanto, Monteiro de Barros pede outros cuidados. Chegou a hora da averbação do despacho (confirmação do que foi declarado, com o que foi embarcado), concedida pela Receita Federal.

Se não houver divergência, é só embarcar. Mas se houver, o Banco Central (BC) não vai fechar o contrato de câmbio, que será protelado até a correção dos erros e a obtenção da averbação. Enquanto isso, o exportador não receberá seus dólares.

(Sergio Leopoldo Rodrigues)

Fonte: Diário do Comércio,  edição de 9 de agosto de 2001.