Modernização de Guarulhos e Viracopos

A visita aos aeroportos internacionais realizada ontem pelo Comus apresentou as várias mudanças em andamento em Guarulhos e Campinas. A breve palestra apresentada pela coordenadora dos Processos de Recebimento e Armazenagem de Importações da Infraero, Rosa Soleto, e Marcos Ferreira, responsável pelo Acompanhamento ao Cliente, esclareceu o processo da Linha Rápida e a modernização do aeroporto de Guarulhos. “O perfil com que trabalhamos é a agilidade. Quem procura o serviço aéreo tem urgência”, disse Ferreira. “O importante é simplificar para incrementar a exportação”, completou.
A Linha Rápida, exclusiva da Infraero, tem agilizado o curso das exportações que, anteriormente, levavam, só na atracação e liberação, vários dias e hoje podem ter suas cargas liberadas em até 4 horas, independente da modalidade ou tipo de mercadoria. Outra vantagem são os transelevadores, que constituem um programa de informatização da Infraero, o Tecaplus, para aumentar a agilidade nas operações e torná-las cada vez mais mecânicas.
Em Viracopos, a estória é outra. Com muito espaço físico e muitos projetos de expansão a oferecer, o aeroporto cresceu, desde 1992, 574% em volume de exportações, dando uma média de 29% ao ano. Como as importações compreendem 65% do tráfego em Viracopos e as exportações 33%, seus esforços concentram-se principalmente nas últimas. O Projeto Linha Azul, como o Linha Rápida, objetiva enxugar o processo e torná-lo mais rápido. Com a sua regulamentação, tornou-se mais difícil para as empresas aderirem a ele, restringindo então o número de participantes, que caiu de 33 para 12, mas mantendo-se a qualidade do serviço.
Seguindo a linha de projetos, surgiram outros. A Entrega Programada de Carga, em que o transportador rodoviário marca o horário do recolhimento, possui cerca de 6 mil companhias participantes das quais 1800 são regulares e 100 dessas, responsáveis por 50% do movimento total. O Projeto de Desconsolidação Prévia “permite que, antes do avião chegar, a carga seja desconsolidada”, explica Carlos Alberto Alcântara, gerente de Logística da Infraero.
Além disso, Viracopos também está implantando o Sistema Tecaplus, que deverá aumentar em quatro vezes a capacidade do terminal e mais um projeto, ainda em estudo, do lançamento de um programa intermediário entre a Linha Azul e a Rápida. Isso porque o aeroporto já é considerado um dos mais rápidos do mundo no desembaraço de carga, levando em média 24 horas (no canal verde) para liberá-la e, no máximo, 3 dias para concluir as etapas dentro do aeroporto pelas quais são responsáveis, até a armazenagem. A partir daí, os atrasos são um problema externo.
Mesmo com uma imagem de concorrentes, Alcântara afirma que, apesar de Campinas “estar se desenvolvendo como hub da América Latina, isso não os torna concorrentes, mas complementares”. Em um esforço comum para equilibrar a balança comercial, os dois aeroportos procuram se modernizar para incentivar o crescimento das exportações no País. “O Brasil precisa mudar seu conceito de exportação. Precisa produzir para isso e, o que sobrar, colocar no mercado interno, e não o contrário, como temos feito há anos!”, ensina Ferreira.

Camila Waddington
Fonte: NetMarinha, edição de 13 de julho de 2001.