A sintonia fina
estabelecida entre a Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) e a
Receita Federal (RF) permitiu que as operações de exportações e importações,
operadas em Guarulhos e Viracopos, tivessem a mesma agilidade dos melhores aeroportos
internacionais do mundo. O resultado mais visível desse ajuste é a "linha
rápida" para desembaraço de importações, que garante a liberação de carga, na
pior das hipóteses, em três dias.
Qualquer empresa, de qualquer tamanho, pode se valer da "linha rápida". A
exigência é que ela tenha garantida, no mínimo, uma importação por mês, seja qual
for o volume. Além disso, precisa ser um exportador ou apresentar um plano de
exportação, com implementação, no máximo, em dois anos.
Essas informações foram apresentadas pelo gerente de Logística da Infraero, Nelson
Rodrigues Farias, durante reunião do Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São
Paulo (Comus), na noite da última quinta-feira. José Cândido Senna, coordenador do
Comuns, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), acredita que as 15 mil pequenas
empresas, com potencial exportador do Estado de São Paulo, poderão ser beneficiadas com
esse sistema logístico. "É uma notícia muito positiva para nós", destacou.
Agilidade Na Infraero, a logística é a palavra do dia. Nelson
Rodrigues Farias buscou demonstrar que as cargas de exportação e importação passam à
jato pelos meandros de Guarulhos e Viracopos. Para ele, a "linha rápida" não
se trata de privilégio para ninguém, até porque acaba contribuindo para agilizar todo o
processo normal de desembaraço das cargas que chegam e saem nesses aeroportos.
Farias garantiu que hoje é possível, em alguns casos, uma carga chegar de manhã e sair
à noite. Muitas vezes, segundo esclareceu, o processo é retardado pelo fato de o
importador-exportador desconhecer o processo ou pela má escolha de seus agentes de carga
(Freight Forwarder). "Como em tudo, existem os bons, médios e maus operadores",
explicou.
Além disso, um outro aspecto pode atravancar a liberação rápida da carga: o fato da
Infraero incluir nos seus preços os custos de até quatro dias de estadia nos seus
armazéns.
Outro ponto de gargalo está no fato de 90% das cargas que chegam para embarque
(exportação) não estarem paletizadas (embaladas). "Isso gera uma grande perda de
tempo para o processo", destaca.
No entanto, ele reconhece que, nesse caso, a própria Infraero é, em parte, responsável.
O processo de paletização está, igualmente, embutido no preço da empresa e, como há
subsídios incidentes nessa operação, "nenhuma outra empresa consegue entrar na
concorrência."
Custo Brasil Seria preciso mudar isso e "trazer a carga
pronta para embarque", acrescenta Farias. As cargas que chegam paletizadas, até por
uma questão de estratégia, acabam sendo despachadas primeiro. A capacidade média de
armazenagem, toda ela automatizada, em Guarulhos, é de 240 palets (embalagens
paletizadas), por hora.
Farias lembra que, por três anos consecutivos, não houve sequer uma perda de carga no
aeroporto. Este ano, apenas uma carga foi danificada, entre as 1.400 movimentadas por dia,
índices obtidos em pouquíssimos dos principais aeroportos do mundo.
Guarulhos situa-se hoje em 35º no ranking dos maiores aeroportos de carga do mundo, sendo
que grande parte deles está situada nos Estados Unidos (EUA). "Se considerarmos por
países, Guarulhos estará entre os 15 primeiros", destacou.
O gerente de Logística da Infraero reconheceu, no entanto, que o custo Brasil ainda é um
fator que impede uma agilidade maior no desembaraço de mercadorias, no País.
Modelo japonês Ele esclareceu que o fato da produção ser mais
barata nos países avançados, fica vantajoso importar sem pagar impostos.
Farias relatou que apesar de liberar, com rapidez, as exportações, o Japão é tão ou
mais criterioso que o Brasil na fiscalização das suas importações: "Conferem até
a especificação da trama da fibra de uma camisa importada." |
Os aeroportos
de Guarulhos e Viracopos podem ser uma boa alternativa para as micro, pequenas e médias
empresas exportadoras e importadoras. O coordenador do Comitê de Usuários dos Portos do
Estado de São Paulo (Comus), José Cândido Senna, lembrou que faz parte da ação do
Comus engajar esse setor no comércio internacional.
Ele recomenta que o mesmo processo poderia ajudar a acelerar o procedimento nos portos.
Segundo Senna, depois da greve que paralisou o porto de Santos, neste ano, tornou-se ainda
mais importante conhecer a logística de exportação e importação dos aeroportos".
Plural "Muitos dos embarques acabaram sendo transferidos para
aeroportos e outros portos, tornando ainda mais importante a pluralidade logística",
enfatizou Senna. Isso também acabou tornando a reunião de quinta-feira passada, como um
marco na aproximação do Comus com os aeroportos.
Marcos Nisti, assessor da 8ª Região Fiscal de São Paulo da Receita Federal (RF),
observou que a Receita está empenhada em modernizar e acelerar a operação. E garantiu
que os aeroportos internacionais de Guarulhos e Viracopos atendem hoje melhor o
contribuinte "que passou a ser visto como um cliente".
Segundo Nisti, esses dois aeroportos são exemplos de operação para vários países.
"Conseguimos aumentar os investimentos de empresas que trabalham no Brasil com o
modal aéreo", disse. O espírito de integração com a Infraero, e com outros
órgãos do poder público, intensificou-se a partir de 1993, para atender a crescente
demanda das importações e exportações.
Werner Hess, chefe de Despacho Aduaneiro do Aeroporto Internacional de São Paulo,
acrescentou que a RF está hoje comprometida em ganhar velocidade nos procedimentos
aduaneiros e alfandegários, "para inserir melhor o Brasil no processo de
globalização". (SLR) |