Existe um
acordo, acertado entre empresários e trabalhadores avulsos do Porto de Itajaí (SC), que
poderia servir de bom exemplo para o Porto de Santos, paralisado pela ação dos
portuários. Depois de 11 meses, 26 rodadas e 150 horas gastas na mesa de negociação, os
os dois lados acertaram um modelo de relações trabalhistas que irá vigorar depois do
arrendamento do Tecovi Terminal de Contêineres do Vale do Itajaí e que inclui a
redução de até 40% da atual força de trabalho avulso do porto. O processo de
licitação, que começa no próximo dia 26, inclui o Pacto de Transição Negociada, que
deverá resultar no aumento da competitividade e da área de influência portuária,
segundo o engenheiro Frederico Bussinger, consultor da Superintendência do Porto de
Itajaí e ex-diretor da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).
Inédito "É uma realidade para ser posta em prática ainda
em 2001", informa ao projetar o trabalho para o início do segundo semestre. Durante
uma palestra, seguida de debate, no Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São
Paulo (Comus), na noite desta quinta-feira, na sede da Associação Comercial de São
Paulo (ACSP), Bussinger disse que será "a primeira licitação do gênero no Brasil
e da qual fazem parte regras relativas à (contratação de) mão-de-obra avulsa." As
projeções feitas mostram que se o porto atingir a capacidade máxima 250 mil
contêineres por ano, o custo de movimentação, de cada unidade, poderá ficar abaixo de
US$ 50".
Avanço Frederico Bussinger fez um balanço do Porto de Itajaí,
mostrando que, apesar das adversidades, a movimentação de contêineres saltou de 90 mil,
em 99, para 108 mil, em 2000, e já atingiu a marca de 120 mil, quando anualizada até
março de 2001. Ele descreveu o porto (de 750 metros de cais irregular e 60 mil metros
quadrados de área), que fica às margens do rio Itajaí, como "pequeno" e que
tem concorrentes visíveis: os portos de São Francisco e Ibituba. O porto movimenta
produtos de alto valor agregado, sendo ¾ de sua capacidade de operação feitos por
contêineres. "Esse movimento está crescendo há sete ou oito anos", salienta.
É nesse contexto, segundo o engenheiro, que "surgiu o caldo cultural para o Pacto de
Transição Negociada."
Ação conjunta Ocorre que, por se tratar de um porto municipal,
segundo informou, toda a comunidade acabou envolvida num processo de sinergia, que
estabeleceu as linha mestra para a celebração do pacto. Frederico Bussinger, consultor
da Superintendência do Porto de Itajaí, lembra que ficou claro, durante o entendimento,
que seria necessário reduzir o orçamento anual de US$ 80 milhões, com gastos de
mão-de-obra, "se o porto não quisesse correr o risco de perder movimento." Por
isso mesmo, observa, quase todas as fases do acordo foram aprovadas nas assembléias dos
trabalhadores avulsos. As negociações ocorreram apenas entre empresários e
trabalhadores, sendo que a autoridade portuária não é signatária do acordo, "que
torna-se regra para o edital de licitação." A sociedade proposta, especificamente
para administrar o Tecovi, prevê uma fatia de 10% para participação dos trabalhadores.
"Também deixa clara as relações entre as equipes de trabalho e o grau de
automação", esclarece.
Comus Antes da palestra, o coordenador do Comus, José Cândido
Senna, disse que a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) repudia os episódios de
violência que vêm ocorrendo no Porto de Santos e se solidariza com várias entidades,
que defendem o respeito a lei, que determinou a greve dos estivadores como ilegal e
abusiva. Ele também informou que o site do Comus deverá incorporar, brevemente, novos
serviços aos já existentes. "Inclusive um banco de oportunidades de emprego na
área de comércio exterior, em logística internacional", adiantou. Essa decisão
vem para suprir uma dificuldade de acesso a esse mercado, além de tentar oferecer
profissionais qualificados, em falta para algumas funções. Servirá ainda, segundo
Senna, para reforçar a equipe de logística para as micro e pequenas empresas, utilizando
a capilaridade desse setor, para ampliar as exportações brasileiras. "Assim,
estaremos beneficiando os exportadores e importadores, que terão serviços a preços mais
competitivos", resumiu. |