| Porto de Santos: Embarcadores são onerados com custos extras |
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SÃO PAULO - Avaliando especificamente os prejuízos na cadeia de transporte de mercadorias decorrentes da paralisação dos estivadores do porto de Santos - que está no terceiro dia -, o presidente do Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São Paulo (Comus), José Cândido Senna, lembra que uma série de custos adicionais é imposta aos embarcadores. "Os transportadores rodoviários ficam parados, cobram-se taxas de demurrage (referentes ao tempo adicional de carga e descarga com relação ao que é acertado com o armador) ", explica. "As conseqüências são trágicas, porque comprometem os programas de embarque e não interessam a ninguém, nem aos estivadores", pondera, lembrando que muitas cartas de crédito de exportação estipulam datas para as operações de embarque. Senna avalia que, do ponto de vista jurídico, a lei 8.630/93 (a Lei dos Portos) é clara quanto ao papel do Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) como agente responsável pela escalação dos trabalhadores portuários - motivo dos protestos dos estivadores. "É claro que, do ponto de vista político, resta saber o que está sendo oferecido aos estivadores em termos de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), a fim de que haja algum tipo de compensação para os trabalhadores que ficarem de fora da escalação", afirma. "Para isso, são necessárias negociações". Em sua avaliação, o protesto dos trabalhadores era esperado: "Sempre que há perda de poder, reações assim são previsíveis", diz. "É necessário que as partes busquem, de forma serena, um denominar comum; é claro que os ânimos se exaltam, mas é preciso que haja um espírito de responsabilidade social". |
| Ségio Siscaro, Panorama Setorial da Gazeta Mercantil, 29 de março de 2001. |