Para reduzir seus custos, o porto de Santos precisa concentrar maior
volume de carga. Enquanto não fizer isso, continuará "patinando" na
movimentação de, aproximadamente, 800 mil TEUs/ano (cada TEU eqüivale a um contairner
de 20 pés), enquanto o porto de Singapura movimenta 16 milhões de TEUs/ano.
Pior que isso, na avaliação dos especialistas que participaram da reunião do Comitê de
Usuários dos Portos do Estado de São Paulo (Comus), na noite da quinta-feira passada, na
sede da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). "Centenas de containers
são desembarcados anualmente no porto de Buenos Aires, porque é mais barato, e voltam ao
Brasil de caminhão", alerta Wady Jasmin, presidente da Santos-Brasil.
Saída Para José Candido Senna, diretor do Comus, a única saída para esse
e outros problemas, é tornar "concentrador" o porto de Santos. "Aumento
nos volumes de cargas significará custos menores de operação, maior competitividade,
mais negócios", explica. Essa verdadeira "bola de neve" depende também de
melhoria nas condições do porto.
No entanto, a principal saída para tornar o porto de Santos concentrador, depois da
privatização, vai depender das negociações entre capital e trabalho. "As duas
partes precisam sentar e negociar até que possamos obter uma tarifa especial de
transbordo e de cabotagem", prega Wady Jasmin. Nesse caso, o governo pode agir apenas
para "estimular" as conversações. "Se houver interesse político, o
governo poderá agir nesse sentido", acrescenta.
Taxa Uma questão polêmica que vem envolvendo todos os usuários de portos,
no Brasil, é a cobrança da Terminal Handling Charge (THC), ou seja, a Taxa de
Movimentação de Carga, que incide sobre a carga que transita do portão do terminal até
o costado do navio e vice-versa. Antes da privatização, a THC existia na forma de
uma taxa de capatazia, que era paga pelo usuário, mas complementada (para agilizar os
serviços portuários) pelo armador. |
Depois
da privatização, a THC passou a ser paga, basicamente, pelos usuários. Em alguns casos,
como no porto de Vitória, eles brigam na Justiça para não arcar com esse encargo. Para
avaliar o verdadeiro peso da THC nos custos portuários, o Centro Nacional de Navegação
Transatlântica (Centronave) contratou estudo da Tendência Consultores Integrados, que
pesquisou os portos de Santos, Rio de Janeiro, Paranaguá e Vitória.
As conclusões foram apresentadas na reunião do Comus. Segundo o diretor-executivo do
Centronave, Robert Cyril Higgin, o estudo demonstrou que os custos portuários ainda são
elevados no Brasil. Ele concentrou sua apresentação na avaliação feita, como modelo,
no terminal 37 do Porto de Santos. Na pesquisa foram feitos contatos com todos os
envolvidos nos serviços portuários, de exportadores e importadores, até trabalhadores e
armadores.
Avaliação Todos os itens que envolvem o cálculo da THC foram avaliados:
recepção, empilhamentos, transporte até o calado do navio, autoridade portuária,
custos administrativos e impostos, entre outros. Os resultados mostraram que do total do
custo médio de movimentação obtido por container
(R$ 192,90), a autoridade portuária foi responsável por 37,50%; o empilhamento, por
15,20%; o transporte até o calado, por 13,60%; os impostos, por 12,2% e o custo do
capital por 10,5%.
Na lanterna ficaram o
custo da recepção, com participação de 1,80% do total, costado do navio, com 2,60% e
custo administrativo, com 7,20%. O interessante do estudo, observou Higgin, é que ficou
constatado o seguinte: a cada aumento de 10% no volume de carga no terminal, o custo da
THC cai 4%. "Portanto, sem aumentar o volume e a produtividade, o custo por container
dificilmente poderá cair", esclareceu. |