| Estudo defende melhora de ferrovia entre SP e Rio | |
Estudo defende melhora de ferrovia entre SP e Rio Transporte de carga por rodovia no principal eixo econômico do país pode tornar-se inviável GUSTAVO PAUL |
Os estudos mostram que, para tornar o sistema rodoviário eficiente, será preciso ampliar ainda mais a capacidade das rodovias existentes, o que implicaria em construir novas pistas. Para tanto, o governo teria de desapropriar vários trechos às margens das estradas, que já estão ocupados por comércio, residências e indústrias, o que significa um custo absurdo, disse o presidente do Geipot. As ferrovias existentes também apresentam deficiências de pátios, terminais de carga e segurança. Nas proximidades de São Paulo e Rio de Janeiro, o tráfego de carga é limitado pelo transporte intermunicipal de passageiros. Hoje, um trem de carga viaja a cerca de 20 Km/h na região, o que torna economicamente inviável o tráfego de mercadorias pelas estradas de ferro. Segundo o estudo, se forem mantidos os projetos previstos atualmente para as estradas e ferrovias, ao longo dos próximos anos 95,6% do transporte serão feitos por rodovias. O planejamento atual prevê a ampliação da capacidade das rodovias Presidente Dutra, Castelo Branco e sistema Anhangüera/ Bandeirantes, além da duplicação das rodovias Fernão Dias, Régis Bittencourt e as estaduais Imigrantes e Raposo Tavares. Para o setor ferroviário estão previstas obras de recuperação e ampliação de trechos. O sistema Expresso de Cargas proposto pelo estudo do consórcio Transcorr utilizaria as linhas existentes, com melhorias, e dependeria da construção do Ferroanel de São Paulo, cuja construção está prevista no Plano Plurianual de Investimento (PPA) do governo federal. O término do Ferroanel custará US$ 497 milhões, referente a dois trechos de pouco mais de 100 quilômetros. Baseado em terminais automatizados, com despacho aduaneiro e monitoramento do transporte, o sistema Expresso Carga utilizaria trens de 40 vagões a uma velocidade média de 80 Km/h. O estudo prevê terminais em Campinas, São Paulo, Santos e em Rocha Sobrinho, no Rio de Janeiro. Ao longo de todo o trecho existiriam mais 24 estações para carga e descarga de mercadorias. Com este sistema de transporte, os técnicos acreditam ser possível aumentar o tráfego de produtos industrializados e contêineres de 1.911 toneladas ao ano para 22.099 toneladas em 2022, um aumento de 1.056%. Outra conclusão dos três anos de estudo é de que, com o novo sistema de transportes, haveria redução dos congestionamentos e acidentes nas rodovias. São Paulo teria o reordenamento do seu tráfego ferroviário e poderia haver redução de custos para as empresas. Além disso, os investimentos em rodovias podem ser postergados por pelo menos dez anos, disse Nóbrega. |
Fonte: O Estado de São Paulo, Economia, 16 de setembro de 2000, página B 6A. |
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