PORTO DE SANTOS: Alfândega espera desenvolvimento da cabotagem

SÃO PAULO, 5 de setembro de 2000 - Apesar das restrições legais quanto à armazenagem de cargas de cabotagem e os entraves de regulamentação quanto a essa modalidade de transporte marítimo, é certo que seu desenvolvimento deverá transformar o Porto de Santos em um hub port (concentrador de cargas). A opinião é da inspetora da Alfândega daquele porto, Diva Alves Kodama, que participou ontem de reunião do Comitê de Usuários dos Portos do Estado de São Paulo (Comus), realizada na Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Na ocasião, Kodama ouviu às dúvidas e sugestões de representantes da comunidade de usuários do porto quanto às formas de se intensificar a utilização da cabotagem. "Nossa legislação ainda é desatualizada. Hoje, 80% das cargas que saem do Estado de São Paulo dirigem-se a outros estados do País, e não utilizam o modal marítimo. Se pelo menos 20% desse total fosse transportado por essa via, os custos da cabotagem seriam viabilizados, e se desafogaria o modal rodoviário", opinou o diretor da Santos Brasil, Ronaldo Fortes, que propôs ainda a criação de um grupo de trabalho, no âmbito do Conselho de Administração Portuária (CAP) de Santos, para levar os pleitos do setor a Brasília (DF). O representante do CAP Joel Corrêa Souza Jr. ressaltou que a maior utilização da navegação de cabotagem, necessária para se contornar as dificuldades de se trafegar uma malha rodoviária já saturada, passa pela redução de tarifas: "O porto de Salvador já diminuiu suas tarifas; em outras localidades, os trabalhadores já aplicam tabelas com valores menores para cargas de cabotagem".

Fonte: Sérgio Siscaro, Panorama Setorial da Gazeta Mercantil.