Consórcios estimulam confecções

Quem ainda dúvida das vantagens de se aventurar na área de comércio exterior, é melhor reavaliar suas expectativas para o próximo milênio. Os especialistas acreditam que as pequenas e médias empresas nacionais tem boas oportunidades de colocar seus produtos no mercado externo. A idéia foi defendida ontem pelo presidente da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), Roberto Chadad, durante a reunião da Câmara Intersetorial de Operações Internacionais (Cioi) da Associação Comercial de São Paulo.Chadad disse durante o encontro coordenado pelo vice-presidente da ACSP, Renato Abucham, que aposta na retomada das exportações no setor de confecções e na criação de novos consórcios de exportação nessa área, com ajuda da Agência de Promoção de Exportações (APEX), criada pelo Decreto 2.398/97. A APEX faz parte do Programa Especial de Exportações (PEE) do governo federal e agrega atualmente cerca de 60 setores da economia, além da área têxtil e de confecção. "A partir de 98, os empresários começaram a pensar em investir nos consórcios como forma de colocar seus produtos nos mercado internacional", informou o empresário. Hoje no Brasil existem 16 grupos de consórcios no setor de vestuário, formados por 10 a 15 empresas cada um. Até 2002, Chadad acredita que haverá 300 consórcios atuantes, exportando aproximadamente U$ 1 bilhão em confecções.

O presidente da Abravest acredita que o exemplo da Itália, que hoje reúne 3.000 consórcios constituídos por pequenas e médias empresas, deve ser seguido. Os consórcios exportadores, de uma maneira geral, são formados por empresas de pequeno porte com 8 ou 10 funcionários, informou o coordenador do Comus, José Cândido Senna. Ele adiantou que no estado de São Paulo 14.800 pequenas empresas podem investir nesse mercado. Na opinião de Chadad, o primeiro passo para criação dos consórcios de exportação é "sensibilizar" as empresas, que ainda não se aventuraram em comercializar seus produtos lá fora. Depois é só formar a equipe de dirigentes, remunerados pela APEX e pelo grupo. E na seqüência, conduzir os empresários na busca pelo padrão de qualidade, de acordo com as normas do ISO 9000. Num terceiro momento, os consórcios analisam qual o melhor mercado para seus produtos.
Alíquotas - No último mês, o setor de confecção conseguiu uma grande conquista, com a diminuição das alíquotas cobradas na importação de máquinas pelo setor, de 19% para 5%, segundo informou Chadad. Totalmente favorável aos investimentos em tecnologia de ponta, ele comentou sobre a eficiência de uma técnica recente - o jato d’água, usado para cortar tecidos na China e Paquistão, com alto grau de precisão.

Fonte: Diário do Comércio, 31 de agosto de 2000, página 5.