Alternativa
para a obtenção de financiamento pelas pequenas empresas pode
estar na rolagem dos contratos de adiantamento de cambiais Estela Cangerana
Tanto o governo quanto a iniciativa privada concordam que a participação
das pequenas e médias empresas nas exportações precisa
ser mais efetiva. O problema é como criar mecanismos que possibilitem
essa participação. Uma solução para viabilizar
as exportações de empresas menores pode estar no crédito
rotativo com mecanismos de garantia. A alternativa facilita a obtenção
e manutenção de adiantamentos de contratos de câmbio
para empresários que possuem os recursos iniciais para o primeiro
lote de exportação . Essa solução foi levantada
durante workshop ocorrido recentemente na Associação Comercial
de São Paulo. O evento "Câmbio e Financiamento das Exportações
e Importações" foi promovido pela Federação
das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de São
Paulo, em parceira com a Associação Comercial paulistana,
dentro do projeto Dobrando as Vendas Externas com as Comerciais Exportadoras.
Na ocasião, o especialista em comércio exterior, diretor executivo
do Forex Brasileiro e professor da Fundação Getúlio
Vargas, FGV, Alberto Henrique Amorim apresentou e discutiu com os participantes
as opções de linhas de crédito para as transações
internacionais. Apesar de todas as possibilidades de financiamentos disponíveis
para as empresas menores (veja quadro), a queixa dos empresários
é a falta de acesso a esses mecanismos. "Para adquirir as garantias
bancárias para transações comerciais internacionais,
as companhias precisam cumprir uma série de exigências e, muitas
vezes, comprovar exportações anteriores", afirmou Amorim.
Isso dificulta o acesso dos empreendimentos menores, que ainda não
tiveram oportunidade de participar do comércio internacional. Discurso
de platéia - Muitas empresas que procuraram obter essas linhas, como
o Fundo de Aval, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social, BNDES, foram mal sucedidas no processo. "Os bancos oficiais
ainda mantêm um discurso de platéia, ou seja, têm que
incentivar as empresas a fazerem propostas de financiamentos, mesmo sabendo
que elas não serão aprovadas", explicou o professor da
FGV. Isso porque "as empresas precisam comprovar sua capacidade, na
avaliação de risco, com garantias". Para ele, oficialmente
tudo é feito para ampliar as exportações brasileiras
mas a falta de financiamentos acaba derrubando os empreendimentos. Daí
a importância de alternativas como o crédito rotativo com mecanismos
de garantia. Crédito alternativo - A idéia é alavancar
a concessão permanente de financiamentos através de um primeiro
contrato de adiantamento. "A única exigência inicial é
que o empresário possua os recursos necessários para uma primeira
produção, como, por exemplo, uma quantia entre US$ 10 mil
e US$ 15 mil", disse o diretor do projeto Dobrando as Vendas Externas
com as Comerciais Exportadoras, José Cândido Senna. Os recursos,
que devem ser suficientes para um embarque, seriam usados como garantia
para a aquisição de uma linha de Adiantamento sobre Contrato
de Câmbio, ACC. Os cambiais obtidos com o primeiro embarque seriam
usados como garantia para a operação subsequente, e assim
sucessivamente. "O empresário, porém, precisa manter
um perfeito gerenciamento de seu ciclo de produção",
observou Senna. O ciclo se encerra com a entrega das mercadorias para o
agente transitário ou empresa aérea, que emite o documento
comprobatório de embarque. Ele é necessário para afirmar
a transferência de propriedade dos produtos do vendedor para o comprador.
"A consolidação desse esquema traria uma maior alavancagem
à medida que o exportador comprovasse a liquidez de suas cambiais,
ou seja, mostraria que está vendendo para quem paga", admitiu
o professor da FGV, Alberto Henrique Amorim. Seguros - Outra forma de facilitar
o acesso ao crédito , na opinião do professor, seria a abertura
do mercado de seguro de crédito à exportação
para as seguradoras privadas nacionais ou internacionais. Hoje, isso é
exclusividade da Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação
, SBCE, um órgão oficial que, segundo os empresários,
tem privilegiado os empreendimentos maiores, já que eles oferecem
menos riscos. "Essa medida despertaria enorme interesse por parte das
seguradoras que prefeririam correr riscos dessa natureza ao invés
de se arriscar cobrindo veículos nas cidades de São Paulo
ou Rio de Janeiro", brincou Amorim. Para ele, a abertura do mercado
possibilitaria que o SBCE pudesse se especializar no seguro das exportações
de longo prazo. "Essas sim exigem uma presença mais forte do
Estado", concluiu.
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